quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Efeito nulo do caso Receita, segundo Coimbra


Do Blog do Nassif
-------------------------------------------------------------------------------------
Enviado por luisnassif, qua, 08/09/2010 - 23:44
Do Estado de Minas

O fato novo

Há várias razões para que a opinião pública tenha tratado com indiferença o %u2018escândalo%u2019. A primeira é que ele, simplesmente, não atingiu a imensa maioria do eleitorado, por lhe faltarem os ingredientes necessários a se tornar interessante

Marcos Coimbra

Quem, nas duas últimas semanas, leu os colunistas dos "grandes jornais" (os três maiores de São Paulo e Rio) deve ter notado a insistência com que falaram (ou deixaram implícito) que as eleições presidenciais não estavam definidas. Contrariando o que as pesquisas mostravam (a avassaladora dianteira de Dilma), fizeram quase um coro de que "nada era definitivo", pois fatos novos poderiam alterar o cenário.

Talvez imaginassem (desconfiassem, soubessem) que uma "bomba" iria explodir. Tão poderosa que mudaria tudo. De favorita inconteste, Dilma (quem sabe?) desmoronaria, viraria poeira.

Veio o fato novo: o "escândalo da Receita". Durante dias, foi a única manchete dos três jornais. É muito? Certamente sim, mas é pouco, em comparação ao auxílio luxuoso da principal emissora de televisão do país. Fazia tempo que um evento do mundo político não ganhava tanto destaque em seus telejornais. Houve noites em que recebeu mais de 10 minutos de cobertura (com direito a ser tratado com o tom circunspecto que seus apresentadores dedicam aos "assuntos graves").

Hoje, passados 15 dias de quando "estourou" o "escândalo", as pesquisas mostram que seu impacto foi nulo. A "bomba" esperada pelos que torciam pelo fato novo virou um traque.

Por mais que os "grandes" jornais tenham se esforçado para fazer do "escândalo da Receita" um divisor de águas, ele acabou sendo nada. Tudo continuou igual: Dilma lá na frente, Serra lá atrás.

Tivemos, nesses dias, uma espécie de dueto: um dia, essa imprensa publicava alguma coisa; no outro, a comunicação da campanha Serra a amplificava, dando-lhe "tom emocional". No terceiro, mais um "fato" era divulgado, alimentando a campanha com um novo conteúdo. E assim por diante.

Um bom exemplo: o "lado humano" da filha de Serra ser alvo dos malfeitores por trás do "escândalo". Noticiado ontem, virou discurso de campanha no dia seguinte, com direito a tom lacrimejante: "estão fazendo com a filha do Serra o mesmo que fizeram com a filha do Lula".

Há várias razões para que a opinião pública tenha tratado com indiferença o "escândalo". A primeira é que ele, simplesmente, não atingiu a imensa maioria do eleitorado, por lhe faltarem os ingredientes necessários a se tornar interessante. O mais óbvio: o que, exatamente, estava sendo imputado a Dilma na história toda? Se, há mais de ano, alguém violou o sigilo tributário de Verônica Serra e de outras pessoas ligadas ao PSDB, o que a candidata do PT tem a ver com isso? É culpa dela? Foi a seu mando? Em que sua candidatura se beneficiou?

A segunda razão tem a ver, provavelmente, com a dificuldade de convencer as pessoas de que o episódio comprove o "aparelhamento do estado pelo PT" ou, nas palavras do candidato tucano, a "instrumentalização" do governo pelo partido. Será que é isso mesmo que ele revela?

Se a Receita Federal fosse "aparelhada" ou "instrumentalizada", por que alguém, a mando do PT (ou da campanha), precisaria recorrer a um estratagema tão tosco? Por que se utilizaria dos serviços de um despachante, mancomunado com funcionários desonestos? Não seria muito mais rápido e barato acessar diretamente os dados de quem quer que seja?

Não se discute aqui se alguém quis montar um dossiê anti-Serra ou se ele chegou a existir. Sobre isso, sabemos duas coisas: 1) é prática corrente na política brasileira (e mundial) a busca de informações sobre adversários, que muitas vezes ultrapassa os limites legais; 2) o tal dossiê nunca foi usado. As vicissitudes da candidatura Serra ao longo da eleição não têm nada a ver com qualquer dossiê.

O próprio "escândalo" mostra que a Receita Federal possui sistemas que permitem constatar falhas de segurança, rastrear onde ocorrem e identificar responsáveis. É possível que, às vezes, alguém consiga driblá-los. No caso em apreço, não.

No mundo perfeito, a Receita é inexpugnável, não existem erros médicos na saúde pública, todos os professores são competentes, não há guardas de trânsito que aceitam uma "cervejinha". Na vida real, nada disso é uma certeza.

Todos esperam que o governo faça o que deve fazer no episódio (e em todas as situações do gênero): investigue as falhas e puna os responsáveis. Ir além, fazendo dele um "escândalo eleitoral", é outra coisa, que não convence, pelo que parece, a ninguém.
-------------------------------------------------------------------------------------

quarta-feira, 21 de julho de 2010

PiG em campanha [!]


http://www.esend.com.br/mail/admin/images/dinheirovivo/coluna.jpg

19/07/2010

O boicote brasileiro ao pré-sal

Coluna Econômica - 19/07/2010

Ontem, o Financial Times – mais importante jornal de negócios do planeta – publicou ampla matéria sobre o início da produção do pré-sal.

O jornal estranhou o pouco destaque na mídia e no próprio Blog da Petrobras. Interpretou como cansaço do país pelo excesso de loas ao pré-sal.

Do lado da Petrobras, provavelmente o correspondente se esqueceu de mencionar que a empresa está em fase de silêncio – imposto pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), devido ao próximo lançamento de ações da empresa. Mas entendeu as limitações eleitorais, para explicar o discurso mais moderado do governo.

***

Aí, se estende sobre a maneira como a grande imprensa praticamente ignorou o episódio. Alertou para a “complacência que ameaça o Brasil”. Diz que, depois dos sucessos dos últimos anos, “muitos brasileiros dão a impressão que o trabalho já está feito. A colheita do pré-sal já está depositado. Mesmo a descoberta de 4,5 mil milhões de barris no campo de um novo chamado Franco maio foi recebida com indiferença”.

Nada a ver com a opinião pública em geral e com a opinião dos especialistas em particular. Mas com um vício recorrente que tirou toda a objetividade de alguns grandes jornais.

***

Do lado da mídia, a cobertura foi incompreensível. Pouco se falou do início da exploração. Mas O Globo saiu-se com uma manchete escandalosa, informando que enquanto na Europa se reduz a exploração na plataforma marítima, devido ao acidente da British Petroleum no Golfo do México, no Brasil se acelera.

De repente, passa-se a acusar o Brasil de pretender se beneficiar de suas próprias riquezas naturais, sem informar que, no caso da Europa, o recuo na produção marítima se deveu ao esgotamento de suas jazidas, apenas isso.

***

Acusou-se a Petrobras de ignorar o acidente da BP, como se a falha fosse dela, não da BP. Há anos a Petrobras possui um sistema de válvulas automáticas, que impediriam qualquer tipo de acidente similar ao que ocorreu com a BP.

Lá, por questão de economia, as válvulas eram manuais. Quando ocorria algum problema no poço, não fechavam automaticamente a saída do petróleo. Pela tubulação vinha então aquele fato de petroleo e fogo. Para salvar-se, os operadores fechavam repentinamente as válvulas, fazendo com que a explosão se desse na entrada do petróleo.

***

O clima eleitoral parece ter contaminado toda a cobertura. Qualquer notícia positiva para o país é escamoteada, com receio de que possa beneficiar um dos candidatos. Joga-se vergonhosamente contra o país, forçando manchetes para prejudicar o lançamento das ações da Petrobras, como se o que estivesse em jogo fossem apenas as próximas eleições, não a construção do futuro do país, com esse presente dado pelos céus.

“Acusa-se” o país de pretender se beneficiar do pré-sal! O que esse povo pretende? Que se abra mão de uma riqueza que poderá alavancar o bem estar de todo brasileiro?

***

É um clima irrespirável, que não terá continuidade após as eleições. Aí, será necessário um grande pacto entre as novas lideranças da oposição e o próximo governo, visando blindar os interesses do país do jogo político rasteiro.


Financiamento de máquinas vai acabar


O subsídio para a compra de máquinas e equipamentos será encerrado no fim do ano. O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiou R$ 69 bilhões em operações desde julho de 2009 e foi lançado como medida anti-crise para estimular a economia. Empresários criticaram a decisão, dizendo que o fim do programa pode elevar o déficit em contas correntes e esperam que o novo governo reative o programa.


Fim do vazamento é boa notícia, diz Obama

O fim do vazamento de petróleo no poço da British Petroleum no Golfo do México na quinta-feira é uma "boa notícia", disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Mas o líder norte-americano disse para a população "não se precipitar" e achar que o problema acabou. A petrolífera disse que a tampa colocada no local do vazamento ainda está sendo testada, e um conserto permanente depende da eficácia da operação.


Portugal reitera ser contra venda da Vivo

O governo de Portugal voltou a se manifestar contra a venda da fatia da operadora Portugal Telecom (PT) na Vivo para a espanhola Telefónica. "(O governo) pronunciou-se contra essa proposta", reiterou Pedro da Silva Pereira, presidente do conselho de ministros de Portugal. O governo possui ações na PT que permitem que ela vete atos administrativos do conselho de administração - as golden shares. A Telefónica ofereceu 7,15 bilhões de euros pela parte da PT na Vivo.

Comissão Europeia diz que Brasil passa insegurança

O Brasil tem muito potencial para receber investimentos estrangeiros, mas o país ainda passa uma certa imagem de insegurança, disse o presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso. Em visita ao Rio de Janeiro, Barroso disse que as autoridades brasileiras estão se esforçando para afastar essa imagem e enalteceu a credibilidade do país no exterior. O líder europeu também conheceu obras sociais em áreas pobres da cidade.

Europa parabeniza EUA por reforma financeira

A Europa saudou a reforma financeira norte-americana, aprovada pelos senadores na última quinta-feira. A Europa também terá uma reforma, disse o comissário de Mercado Interno, Michel Barnier. A proposta europeia consiste, entre outros pontos, em proteger os depositantes e investidores e fiscalizar as agências de classificação de risco. O continente já implementou o uso de regras prudenciais no setor financeiro e na remuneração de executivos.

Lula critica São Paulo por atraso em licenças ambientais

A demora na concessão de licenças ambientais atrasou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em São Paulo, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi uma crítica indireta ao candidato à Presidência do PSDB, José Serra, que governou o Estado até março de 2010. Lula estava em Diadema inaugurando um conjunto habitacional e disse também que, no âmbito federal, há mais esforço para a liberação das licenças.

Blog: www.luisnassif.com.br
E-mail: luisnassif@ig.com.br

"Todos os direitos reservados, sendo proibida
a reprodução total ou parcial por meio impresso."

Visite o BLOG e confira outras crônicas

quinta-feira, 15 de abril de 2010

As duas caras [ :) / :( ] da Veja [2]


Já se preparando para o golpe, a Veja - que nunca descansa e o mais irrisório dos membros - prepara duas canções para dois estados diferentes. É nesse clima de música que temos:

em 10 de fevereiro de 2010, ela canta, para São Paulo, "Chuva Ácida", do Erasmo... [ela teima em atrapalhar nossa campanha]


"Uma rara combinação de fatores atmosféricos é a causa do dilúvio que há mais de 40 dias castiga o Sul e o Sudeste do Brasil"

Creio, também, que seja uma rara combinação de fatores inexplicáveis a causa de tamanha infelicidade com a renovada nação brasileira, da qual o mundo se orgulha de tão acelerado crescimento em contraponto ao momento econômico atual do mundo. Como pode existir um levante midiático a fim de tornar o seu próprio país, mais uma vez, uma "piada no exterior"?.

No canto inferior direito da capa, nota-se a seguinte chamada: "Raios: o Brasil é o país mais atigindo do mundo". Aposto que é culpa do Governo Federal, e da Dilma.

Lembre-se que "culpar as chuvas é demagogia".



e em 14 de abril de 2010, ela canta "Chuva Amiga", para o Rio, do Raul Seixas... [os inimigos são os outros]

"Culpar as chuvas é demagogia. Os mortos do Rio de Janeiro que o Brasil chora foram vítimas da política criminosa de dar barracos em troca de votos."

Realmente, em São Paulo, nas áreas de risco (consideradas só depois das tragédias) o Governo dá um "vale se manda" de R$ 300,00. Isso não é política criminosa.

Esse ano, já não mais importa Copa do Mundo, mesmo vivendo um excelente ano de muitas conquistas e alegrias no esporte. O que importa, para o triste monopólio midiático, é este golpe. Quando teremos uma imprensa honesta, usando as ferramentas e técnicas ensinadas nas universidades e nas ruas, na essência da informação, romântica mas leal?

É indiscutível o papel da Veja no meio social e político como veículo comunicativo: dar posse aos vendilhões do passado. É indiscutível e lamentável.

Agradecendo à Marizete Augustus, ao Max e ao Douglas pelo repasse das capas.

sem comentarios