sábado, 6 de março de 2010
Comunicação tendenciosa do PiG Sergipano [correndo à defesa do elitismo branco no NE]
A Comunicação no Brasil ainda engatinha para um senso democrático, justo e imparcial. A Rede Globo e afiliadas não escodem sua posição neoliberalista e antiassistencialismosocial, sempre correndo à defesa da elite (branca). Abaixo dois textos referentes ao mesmo assunto: o primeiro com apresentação de números e com uma abordagem menos parcial, o segundo com uma pesada pitada de tendência defensiva ao alunado elitista. Repare:
Infonet - 04/03/2010Reitor reafirma que sistema de cotas da UFS é justo
O objetivo principal da direção da universidade era explicar a razão do percentual de vagas destinado aos alunos oriundos de escolas públicas (50%) e comentar a cassação da liminar judicial que autorizava uma candidata não-cotista excedente que teve pontuação maior que cotistas aprovados em Medicina a se matricular no curso. Para o procurador Paulo Celso Rego, isto deve se repetir com as demais ações.
“Desde o dia 1º de fevereiro a UFS foi alvo de 40 ações que questionavam o sistema de cotas. Estas ações foram distribuídas entre os juízes federais e apenas um deles entendeu que estes alunos tinham direito à reclamação e oito destes pedidos foram deferidos. Mas a tendência do Tribunal Regional Federal, que cassou esta liminar, é de se manter favorável à política de cotas nas universidades”, explicou.
Sistema debatido, discutido e estudado
Para o diretor do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (Neab-UFS), Frank Marcon, a implantação do sistema de cotas na UFS foi algo debatido, discutido e estudado durante anos e visa corrigir algumas distorções, como a aprovação de candidatos da rede pública para o curso de Direito em 2009, cujo percentual foi de 2%, mesmo a participação dos alunos das escolas da rede estadual e federal representar 80% nos processos seletivos da instituição.
“O mérito de quem é aprovado prevalece sobre qualquer outra condição. O edital é claro e acredito que quem se inscreveu no último vestibular da universidade estava ciente da dinâmica de aprovação”, conta Frank. Outro ponto exposto foi o aumento no número de vagas. Na próxima seleção, serão ofertadas 150 vagas para o curso de Medicina, um número 100% maior que o período que antecede a adoção do sistema de cotas pela UFS.
Rede particular X rede pública
Mesmo sendo uma coletiva de imprensa, alunos do ensino médio dos colégios Master, Ideal e Módulo compareceram ao prédio da reitoria da UFS e não foram impedidos de entrar. Os futuros vestibulandos manifestaram a indignação contra o sistema de cotas através de gritos, aplausos irônicos e cartazes com provocações do tipo “Cotas é exclusão” e “Mais Vagas ‘Não’, Mais Verba ‘Sim’”.
O reitor da universidade permitiu os questionamentos dos estudantes, mas logo o auditório da reitoria virou palco de um bate-boca quando alunos do Colégio de Aplicação da UFS (Codap) chegaram ao local com cartazes pró-cotas. Em maioria, os estudantes da rede particular passaram a gritar “Vão estudar, vão estudar’.
Tranqüilizado o ambiente, os alunos das escolas particulares deram início a uma série de perguntas, mas que não surpreenderam ninguém. Apenas questões do tipo ‘por que não melhorar a qualidade do ensino ao invés de criar cotas’ e coisas do gênero. O debate se prolongou por mais uma hora, aproximadamente, quando foi encerrada as coletivas de imprensa e do alunado da rede privada.
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Emsergipe.com - 04/03/2010UFS e estudantes discutem sistema de cotas
A sessão teve o propósito de discutir o funcionamento do sistema e esclarecer o processo de cassação da liminar da 1ª Vara de Sergipe concedida na última quinta (25) pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região.
De acordo com o reitor da UFS, Josué Passos, o sistema de cotas não é um absurdo e nem contra o regimento. “Eu tenho certeza de que a população já tinha conhecimento das regras de funcionamento das cotas, pois o formato já era conhecido”, salientou. “Após um ano de discussão, em 2007, nós baixamos uma portaria constituindo um grupo de discussões na Universidade, coordenado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, para debater que tipos de políticas afirmativas a Universidade Federal de Sergipe deveria adotar”, explicou destacando que “não estamos excluindo ninguém. Só estamos ampliando vagas disponíveis”.
A estudante de escola particular, Ana Luisa Motta, é contra o sistema de cotas, pois, a pesar de ainda está cursando o 2º ano do ensino médio, já está se sentindo ameaçado com a regra. “Eu sei que posso ser prejudicada com isso futuramente porque eu vou tentar para o curso de Medicina, que é um dos mais concorridos”.
Rafela Eugênia, que é aluna de rede particular atualmente, já participou do sistema e sabe como é a situação. Ela está tentando novamente ingressar na universidade, porém com uma diferença: “não sou a favor das cotas, mas sim de que eles abaixem as cotas e de uma sociedade mais realista”.
À favor da polêmica, Breno Souza Carvalho Lima, que é estudante escola pública, iniciará o curso superior graças ao modelo de inclusão adotado pela UFS. “Eu acho digno pelo fato de que os alunos de escola pública não têm as mesmas oportunidades dos de escolas particulares. Quem estuda em escola particular tem mais condições de estudos e, consequentemente, mais probabilidade de cursar a universidade. Sou a favor do sistema de cotas por conceder uma situação democrática”, defendeu.
Juliana Costa, já prestou vestibular para medicina na UFS cinco vezes, mas ainda não conseguiu ingressar. "Esso foi o pior resultado de todos devido à porcentagem muito maior do sistema de cotas", afirmou.
MPF
O Ministério Público Federal decidiu arquivar, em julho de 2009, as ações formuladas por pais de alunos de escolas particulares contra a adoção do sistema de cotas no vestibular deste ano.
De acordo com o procurador da República, Pablo Coutinho, as cotas não afrontam a Constituição visto que qualquer universidade tem autonomia para suas regras pré-estabelecidas.